Novas fronteiras do aprendizado – Heutagogia

Você tem a impressão que a aprendizagem em sala de aula seja em cursos de graduação, pós-graduação, MBAs e até mesmo na educação corporativa está parecida ou até mesmo igual há 10 anos (talvez mais tempo ainda!).

Se voltarmos no tempo veremos a mesma sala de aula, ou muito idêntica, onde os estudantes ou profissionais sentam-se enfileirados olhando para um quadro negro – em alguns lugares brancos – e onde o professor ou consultor professa “sua” aula. Isso mesmo, a aula dele. Ok, recentemente temos mais tecnologias: filmes, computadores e outras coisas…

Em termos técnicos isso se chama aprendizagem centrada no professor onde ele determina todos os conteúdos e geralmente utiliza a aula expositiva (formato palestra) para transmitir o conteúdo.

Um pesquisador chamado Edgar Dale realizou diversos estudos e identificou que retemos em média 20% do que ouvimos. Ou seja, o quanto de aprendizagem real temos em um ambiente onde ficamos apenas recebendo o conteúdo de forma passiva?

Geralmente esse é o foco da pedagogia (importante ressaltar que existem várias metodologias como o construtivismo e aprendizado por projetos que já estão sendo aplicadas na educação para crianças com resultados interessantes) que é o processo de aprendizado usado para ensinar as crianças.

Para diferenciar o ensino de crianças do de adultos temos a Andragogia que tem como base considerar as experiências, contexto e necessidades deste público para o processo de aprendizagem, onde se espera que a aprendizagem seja centrada no estudante. O ambiente principal onde os adultos aprendem de maneira formal é na universidade e nos treinamentos corporativos locais em que o ideal fosse a utilização de metodologias e abordagens mais ativas de aprendizado para esse público. Voltando aos estudos de Dale e de outros pesquisadores identificou-se que quando falamos e fazemos (atuamos no processo de aprendizagem) a retenção do conteúdo sobe para 90%. A possibilidade de aplicarmos o que aprendemos contribui de forma significativa para isso.

Entretanto, uma nova fronteira no aprendizado surge: a heutagogia. Provavelmente o modelo da heutagogia será a abordagem de aprendizagem do século XXI (apesar de ela não ser recente), pois nela a pessoa que decide o que, quando e como aprender. O foco nesta abordagem não é apenas adquirir competências e conhecimentos como uma experiência de aprtendizagem, mas sim ter a iniciativa para individualmente ou com a ajuda de outras pessoas, conseguir identificar as necessidades de treinamento, criar objetivos de aprendizagem, identificar recursos que contribuam para o aprendizado, implementar estratégias e avaliar os resultados alcançados.

E uma reflexão que aparece: será que a heutagogia estará presente no meu dia a dia? Independentemente da profissão que você tenha quando consideramos as mudanças no contexto econômico tanto local quando global, as complexidades que surgem nas diferentes carreiras e principalmente as modificações das necessidades dos consumidores, tudo isso exige e exigirá cada vez mais entender do mercado onde atuamos, implementar inovações, estar conectado com as tendências por meio do processo de aprendizagem, principalmente com a característica de ser mais autodirecionado, onde a competência de se tornar mais autodidata é um diferencial.

Ou seja, em um futuro não muito distante criaremos um “mapa” de aprendizagem individual para o desenvolvimento pessoal e profissional. A chave para que o mapa seja bem “desenhado” nos leve aonde queremos será o autoconhecimento e sabermos o que precisamos aprender (contando se necessário com a ajuda de alguém) para construirmos a partir de agora essa competência de aprendizagem que é a heutagogia.

 


 

Fabrício César Bastos
Eu ajudo líderes e colaboradores individuais a melhorarem sua performance profissional por meio de treinamentos nas áreas de liderança, gestão e estratégia.

fabricio@flowan.com.br

 

 

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